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conhecer o projeto →A Xiaomi não desapareceu, mas perdeu presença, identidade e espaço no mercado brasileiro. O problema parece menos falta de produto e mais uma estratégia que deixou de empolgar.
Theus
Editor-chefe

Durante alguns anos, falar em Xiaomi no Brasil era quase sinônimo de falar em celular com bom desempenho e preço agressivo. A marca aparecia em recomendações, vídeos e discussões sobre custo-benefício. O Redmi atendia quem queria um aparelho mais barato, enquanto a Poco atraía quem buscava desempenho forte sem pagar o preço de um topo de linha tradicional.
Hoje, a sensação é diferente.
A Xiaomi ainda vende celulares no Brasil, continua relevante em outras partes do mundo e mantém marcas como Redmi e Poco. Mas perdeu aquela presença constante que tinha nas conversas sobre smartphones. Quando alguém pergunta qual celular comprar, as respostas costumam se concentrar em Samsung, Motorola, Apple, e agora também em marcas como Realme, Honor e Oppo.
A Xiaomi não sumiu. Só deixou de parecer tão importante quanto antes.
Sim. A Xiaomi continua presente oficialmente no país, principalmente por meio de modelos Redmi e Poco. O problema é que sua oferta brasileira não parece tão forte ou tão clara quanto a da Samsung e da Motorola.
A marca também não costuma trazer de forma consistente seus principais topos de linha globais. Enquanto Xiaomi 15, Xiaomi 17 e versões Ultra aparecem em mercados internacionais com câmeras Leica, processadores de ponta e construção premium, o consumidor brasileiro frequentemente encontra esses aparelhos por importação, revendedores ou preços pouco competitivos.[1][2]
Isso cria uma situação estranha: a Xiaomi tem produtos premium, mas eles não estão realmente disputando o mercado premium brasileiro de maneira ampla.
Quem quer um topo de linha costuma pensar em iPhone ou Galaxy S. Quem quer algo mais barato procura Redmi, Poco, Motorola ou algum modelo intermediário da Samsung. A Xiaomi fica espremida no meio, especialmente quando seus aparelhos mais interessantes chegam apenas por importação.
A presença oficial existe, mas não parece acompanhar a força global da marca.
A antiga Xiaomi conquistou muita gente com uma fórmula simples: entregar mais hardware por menos dinheiro.
Processador forte, bateria grande, tela de alta qualidade e câmeras aceitáveis por um preço agressivo. Não era difícil perdoar alguns problemas de software ou acabamento quando o aparelho custava bem menos que um concorrente equivalente.
Só que essa diferença diminuiu.
Impostos, distribuição, variação cambial e estratégias de preço fizeram os celulares da Xiaomi ficarem menos “absurdamente baratos”. Ao mesmo tempo, Samsung e Motorola passaram a oferecer aparelhos intermediários mais competitivos, com assistência técnica conhecida, atualizações mais claras e presença forte no varejo.
A Xiaomi ainda pode entregar bastante hardware pelo preço, mas já não parece ser a única empresa capaz de fazer isso. E quando a diferença de preço diminui, outras questões passam a pesar mais: garantia, suporte, disponibilidade de peças, atualizações e confiança na marca.
É difícil convencer alguém a importar um celular quando existe um Galaxy ou Motorola disponível em qualquer loja, com assistência técnica espalhada pelo país. O consumidor brasileiro não compra apenas especificações. Ele também compra tranquilidade — mesmo que a palavra “tranquilidade” seja menos interessante que “Snapdragon”.
Talvez essa seja a maior questão.
A Poco ainda é associada a desempenho. O Redmi continua forte entre modelos acessíveis e intermediários. Mas a Xiaomi perdeu um pouco daquela imagem de marca ousada que entregava produtos diferentes por preços difíceis de ignorar.
Enquanto isso, a Samsung construiu uma linha muito clara: Galaxy A para intermediários, Galaxy S para topo de linha e Galaxy Z para dobráveis. A Apple também mantém uma identidade simples: iPhone como produto premium integrado ao próprio ecossistema.
A Xiaomi possui bons produtos, mas sua comunicação parece mais fragmentada. O consumidor precisa entender a diferença entre Xiaomi, Redmi, Poco, versões globais, versões chinesas, importação e disponibilidade oficial. Para quem acompanha tecnologia, isso pode ser interessante. Para o comprador comum, parece um pequeno curso técnico antes de escolher um celular.
E a Xiaomi também ficou menos presente no segmento premium brasileiro. Não basta fabricar um celular excelente na China ou na Europa. É necessário colocá-lo nas lojas brasileiras, oferecer suporte, divulgar o produto e fazer o consumidor acreditar que aquela compra vale o risco.
Não exatamente.
No primeiro semestre de 2026, os envios da Xiaomi no Brasil caíram 34% em relação ao mesmo período de 2025. A participação estimada da empresa caiu de 11% para 7%, embora ela ainda tenha permanecido na terceira posição do mercado brasileiro.[3][4]
Os números indicam perda de força, não desaparecimento.
Na América Latina, a situação é menos negativa. A Xiaomi chegou a alcançar a vice-liderança regional, com participação próxima de 17% a 18%, impulsionada por Redmi e Poco. Isso mostra que o problema não está necessariamente na incapacidade da marca de vender celulares, mas na forma como ela se posiciona em cada país.[5][6]
No Brasil, a Xiaomi parece ter perdido o fator novidade e não conseguiu substituir essa empolgação por uma presença premium consistente.
A marca ainda tem espaço para voltar a crescer. Um portfólio mais organizado, lançamento oficial dos principais topos de linha, preços competitivos e uma política de atualizações mais clara ajudariam bastante.
Mas, no momento, a sensação é que a Xiaomi parou de disputar a conversa. Ela ainda está no mercado, mas deixou de ser a recomendação automática de quem procura um celular bom e barato.
E esse talvez seja o maior problema: não basta ter bons aparelhos. A marca precisa fazer o consumidor lembrar deles quando estiver pensando em comprar um celular.